ENQUETE


AFINAL, CÂMPUS OU CAMPUS

 

Prezado Servidor, precisamos de sua opinião!

 

            O Instituto Federal de Rondônia, por meio da Comissão instituída pela Portaria 519/2018/IFRO, está finalizando a minuta do Manual de Redação Oficial. Como este Manual deve primar pela correção e atendimento às necessidades do IFRO, a participação de todos é fundamental para a melhor orientação. Existe uma questão crítica e polêmica que esperamos resolver por meio da enquete que estamos propondo:

 

RAZÕES PARA O APORTUGUESAMENTO OU NÃO DA PALAVRA CÂMPUS/CAMPUS

 

            A palavra câmpus/campus é uma paroxítona terminada em “us” e, se aportuguesada, deve receber acento, além de grafia com inicial maiúscula quando em relação com um aposto que a especifica: Câmpus Ji-Paraná, Câmpus Jaru, Câmpus Cacoal. A lógica para acentuação de câmpus segue a mesma regra de tônus, bônus, antivírus, lótus, Vênus. Sem acento, a palavra é um estrangeirismo, indicado comumente como do latim, e deve ser registrada em itálico e sem acento: campus (no singular) ou campi (no plural).

            Entretanto, há mais considerações em jogo do que apenas a conformação linguística a partir de analogias. A Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), do Ministério da Educação (MEC) (BRASIL, 2015), por meio da Nota Informativa 155, recomenda o uso das formas campus (singular) e campi (plural) para designar as unidades administrativas e de oferta de cursos dos Institutos Federais. Ela se apoia em uma análise de Evanildo Cavalcante Bechara, da Academia Brasileira de Letras, para quem o termo único câmpus se afasta da nomenclatura usada pelas universidades, não tem distinção morfológica interna para singular e plural, não considera o léxico primário em face da nomenclatura terminológica e não é aceito na imprensa, literatura técnica e dicionários de referência. Contudo, não é o que se observa, por exemplo, no Manual de Redação do Estadão (2017), em que Câmpus é grafado com o aportuguesamento para o singular (o câmpus) e o plural (os câmpus); na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), que, pela Ordem de Serviço 1/2014, estabeleceu a forma aportuguesada câmpus para as comunicações oficiais; nas considerações de outros especialistas da linguagem, como Neves (2017), que diz ser equivocado tanto condicionar o aceite do aportuguesamento de um termo, como câmpus, somente pela sua presença em obras de referência, quanto tratar o termo como de origem apenas latina, visto que, segundo ela, herda a estrutura latina, mas com forma completa importada do inglês.

            O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense, mesmo em razão da nota da Setec (BRASIL, 2015), assim se posiciona:

 

O IFSul reconhece a legitimidade da nova recomendação da Setec, no entanto, levando em conta a autonomia de cada instituição para tomar uma decisão nesse sentido, o reitor acredita que a manutenção do vocábulo com acento circunflexo na primeira sílaba e grafado da mesma forma tanto no singular como no plural — modelo adotado, também, por outros institutos — acompanha a evolução da língua. A justificativa é que o termo aportuguesado está correto na avaliação de gramáticos e já estava em processo de consolidação no IFSul [...].

 

            O embasamento da decisão do IFSul se deu a partir de uma explicação da professora e pesquisadora Enilde Faulstich, da Universidade de Brasília. O mesmo embasamento havia sido usado pela Setec em 2011, quando recomendou a grafia única “câmpus”, para singular e plural.

            O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), da Academia Brasileira de Letras (2018), registra apenas campus, mas não campi. O dicionário online Aulete Digital (2018) registra “câmpus” e “campi”, aportuguesando o primeiro e latinizando o segundo; o dicionário Priberam (2018) registra as formas “câmpus” e “campus”, tendo-se “câmpus”, aportuguesado, como substantivo de dois números (o câmpus, os câmpus). No uso cotidiano institucional, como em fachadas, camisetas, notícias e outras fontes, observa-se frequentemente a forma “campus”, sem acento e sem itálico.

            A Comissão se coloca a favor da forma que os colegas servidores, principal público-alvo do Manual, recomendarem como mais apropriada para unificação, em razão das divergências demonstradas entre instituições e usuários em geral.

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica. Nota Informativa nº 155/2015/CGPG/DDR/SETEC/MEC. Brasília: MEC, 2015.

______. Universidade Federal Tecnológica do Paraná. Ordem de serviço nº 001, de 07 de outubro de 2014. Curitiba: UTFPR, 2014.

CAMPUS. In: VOCABULÁRIO Ortográfico da Língua Portuguesa. Disponível em: . Acesso em: 1º jun. 2018.

CÂMPUS. In: AULETE Digital. Disponível em: . Acesso em: 1º jun. 2018.

______. In: PRIBERAM Dicionário. Disponível em: . Acesso em: 1º jun. 2018.

ESTADÃO. Manual de redação: Câmpus. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2017.

NEVES, M. H. de M. Padronizações em torno das grafias CAMPUS, CAMPUS E CÂMPUS. [S. l.]: [S. n.], [201_].

 

Porto Velho, 1º de junho de 2018

 

 

SERGIO FRANCISCO LOSS FRANZIN

Presidente da Comissão

 

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